Porque É Que O Meu Filho Me Responde Mal? – Parte I

O aniversário da minha filha ocorre na primeira quinzena de Janeiro. A festa foi sábado à noite e, antes, tinha sido comentada com os meus companheiros que me acompanham, com carinho e alegria, na pausa da manhã, no nosso atual local de trabalho.

O fim de semana passou, a 2.ª feira chegou… – os dias passam a voar 🙂 – …com a maior das naturalidades e bem intencionada C. aproxima-se de mim e pergunta-me que prenda ofereci à minha filha – respondi: três rosinhas, lembro-me que, ao longo dos anos, o quarto atafulhava-se de brinquedos com os quais a minha filha nunca brincava. Lembro-me, que dei sacos e sacos de brinquedos enquanto pensava como esta acumulação desequilibrada provoca desequilíbrio no meio ambiente!!! –

Tudo tem um propósito e a pergunta de C. manifestou-se uma benção dado que me deu inspiração para escrever este texto.

Ao contrário daquilo que se apregoa ser mãe e ser pai nada tem de romântico 🙂 e, muitas vezes, quando decidimos ter um filho, que foi o meu caso, estamos longe de adivinhar que tudo aquilo que planeámos desmorona-se num ápice. Ao invés de um casamento calmo e organizado, como ao início me pareceu, o desequilíbrio do meu ex-marido tornou tudo pesaroso – compreendo que este desequilíbrio seja fruto da falta de amor por si próprio e deseje que se encontre e que seja feliz, é para isto que serve a vida.

Desarmonia provoca desarmonia e os primeiros anos de vida da minha filha, até ao divórcio, não me possibilitaram ser a mãe tranquila que inicialmente pensei que iria ser.

Se me responsabilizo por isso?

Aceitei as aprendizagens que fiz, cresci como pessoa e foco-me na benção que é conseguir ultrapassar obstáculos e poder dar esse exemplo à minha filha; até mesmo, ter a oportunidade de escrever e partilhar este texto.

O que aprendi?

*que recriamos em modo automático a forma como os nossos pais nos educaram

*que para sermos pais com amor e alegria temos que cuidar muito bem de nós próprios

*que temos ao nosso dispor informação que nos permite conhecer melhor o cerebro do ser humano em desenvolvimento

Por tudo isto, bem mais importante do que uma prenda que traz alegria efémera, parece-me importante assumirmos a responsabilidade de aceitar as nossas fragilidades. Assim, abrimos e expandimos a nossa consciência – processo que considero estar presente até à nossa saída desta dimensão.

“Numa ocasião, senti tanto fastio, que passei seis dias e seis noites sem comer. Ao cabo do sexto dia tinha menos fome do que no fim do segundo. E, no entanto, conheço pessoas – e todos nós conhecemos – que pensariam ter praticado um crime, se deixassem as suas famílias ou empregados sem alimento durante seis dias; porém, são capazes de as deixar seis dias, seis semanas e muitas vezes sessenta anos, sem lhes dispensar palavras de consideração, coisa que elas desejam tanto como o alimento”

Aqui está a luz dos relacionamentos mas esta luz só existe quando dentro de nós próprios criamos a semente que faz florescer a nossa luz interior.

Conheci o “meu” osteopata durante o processo de divórcio e se, ao mesmo tempo, decidi abraçar o desafio de me levantar às 4h 15m da manhã, todas as terças-feiras, durante 11 meses, para chegar a Castelo Branco antes das 6h 30m da manhã para participar na reunião do BNI Confiança – business networking internacional – que só me fez bem e me permitiu iniciar o meu processo de valorização pessoal (crescimento no amor-próprio), ainda assim, tempo para mim própria não existia. Por isso, um dia, numa consulta, P.L. virou-se para mim, num tom intransigente: tem que arranjar tempo para cuidar de si. Não disse nada mas pensei que ele estava “parvo” pois não compreendia a dinâmica do meu quotidiano. Na verdade 🙂 quem estava parva era eu 🙂 pois assim que despertei para o merecimento de cuidar de mim, encontrei forma e tempo para o fazer.

Proporcionalmente, à medida que cuido de mim, que modifico as crenças castradoras em pensamentos e sentimentos positivos, que procuro e encontro o conhecimento, o relacionamento com a minha filha tem muitos mais momentos harmoniosos do que desequilibrados. Chamo a atenção que neste mundo a perfeição não existe, que somos pessoas e que como pessoas que somos também temos os nossos momentos de fragilidade. Além disso, nós pais, sabemos o quanto os nossos filhos testam os nossos limites! 🙂

Aqui e agora o que quero partilhar contigo e que com certeza de vai ajudar a melhorar o teu relacionamento com o teu filho ou com o teu neto é que uma criança ou um adolescente não são adultos em miniatura cheios de defeitos mas, sim, seres humanos em fases diferentes do desenvolvimento. Muitas vezes, consideramos, erradamente, as crianças e adolescentes como sendo mentirosas, manipuladoras, mal educadas ou mal intencionadas. Na verdade, mal intencionados somos nós 🙂 se continuarmos a enterrar a cabeça na areias ao invés de abraçarmos o conhecimento que, de seguida, partilho contigo:

A criança nasce com as partes do cerebro que controlam as funções vitais (respirar, dormir, fazer chichi e cócó) completamente desenvolvidas. Os mesmo não acontece com as partes do cerebro que controlam a percepção, o pensamento, a memória, a linguagem e a coordenação motora – há um looongo caminho a percorrer… … …

Por tudo isto, quando a criança ou o adolescente ( fase da vida de transição de criança a adulto, não acontece de um dia para o outro, leva anos, desenrola-se de grau em grau) nos responde mal é sinónimo de cansaço, fome, raiva, medo, frustração ou mágoa. Sejamos honestos 🙂 nós também conseguimos ser muito indelicados quando vivenciamos estes estados; se nós, adultos, o fazemos, que temos o cerebro maduro, com mais facilidade a criança e o adolescente o fazem visto que o cerebro se encontra em estado evolutivo.

Quanto maior for a nossa capacidade em manter a calma e quanto menos afetados ficarmos com as resposta mal-educadas mais a harmonia se instala. Pais e filhos incluídos conseguem expressar, reciprocamente, os seus sentimentos e opiniões de forma respeitadora e construtiva.

Perdoar-nos a nós próprios por todos os momentos em que não o conseguimos fazer é fundamental. Aprender e treinar a construção de um relacionamento harmonioso é parte integrante da aprendizagem, treino e construção de um relacionamento harmonioso connosco próprios.

Ser mãe, ser pai é um desafio permanente, que nos pode elevar enquanto pessoas pois, tal como os nossos filhos aprendem connosco temos muito a aprender com os nossos filhos 🙂

Elogiemos os nossos avanços 🙂 Bem como os dos nossos filhos 🙂

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