Paulina; Meia De Leite

“O nosso exterior reflete o nosso interior”

Quando vi pela primeira vez esta frase fiquei intrigada: “O nosso exterior reflete o nosso interior”… li…reli…???…

…”caminha e o caminho se abrirá”…procurei…encontrei 🙂

…Quanto mais conhecimento adquirimos, ao nível do desenvolvimento humano, da razão de estarmos aqui, nesta vida, nesta dimensão, neste planeta, mais compreensivos e mais compassivos nos tornamos connosco e com os outros. Seres de sombra e de luz – comummente chamado de defeitos e qualidades, ódio e amor, tristeza e alegria, repetivamente – a nossa missão é crescer no amor e na alegria, transformando, ao ritmo de cada um as sombras em luz. Neste processo evolutivo- nota que estamos cá para aprender até ao último sopro da nossa vida – à medida que vamos aprendendo a nos amar mais e mais, mais amor temos para dar e, com toda a naturalidade e certeza, afastamos o que nos coloca na frequência da tristeza e aproximamos o que nos coloca na frequência da alegria. Tornamo-nos naturalmente e cada vez mais desapegados de comportamentos e comentários que antes nos poderiam fazer sentir irritados e/ou magoados.

Paulina; meia de leite é o título desta história que fala de projeção e desapego e, também, um agradecimento e homenagem a 4 pessoas que comigo partilham a minha passagem pelo 5.º piso do Hospital: M.B.; P.C.; H.R.; S.N.

O tempo que me foi concedido pelo universo foi aproveitado, por mim, para procurar, encontrar, aprender e treinar aprendizagens inerentes ao auto-conhecimento, desenvolvimento humano e relações interpessoais. Recordo-me que quando voltei ao mundo do trabalho a apreensividade foi minha companheira…após algum tempo, dona e senhora do meu tempo e de mim própria, em exclusivo, o que iria encontrar?…

Com mais amizade e respeito por mim própria atraí a minha colega M. que, no meio do turbilhão do 5.º piso, me tratou sempre com muito cuidado e zelo: “O nosso exterior reflete o nosso interior” – “Quanto mais nos tratamos com amor mais atraímos pessoas que nos tratam com amor”

Caloira, sentada à secretária, em processo de aprendizagem acerca da dinâmica e funcionamento do serviço, encontrava-me sozinha, à espera de M: a forma como entrou não me recordo mas a forma como me abordou ainda permanece bem viva na minha memória: um homem, aparentemente zangado com o mundo naquele momento, alto, de bata branca, apresenta-se da seguinte forma: – “Olá, eu sou o Dr. S. Ainda ninguém ma apresentou mas não é preciso ser muito inteligente para saber quem é..” Será? 🙂 eu nem sequer pertenço a esta casa, estou aqui de passagem…pensei :)…Por algum motivo o Dr. S. gosta de me desafiar: sendo “arrogante” e apelidando-me de chata por diversas vezes. Como estou definida e sei o que sou, com as minhas fragilidades e competências, um ser humano em evolução como qualquer outro que se responsabilize por fazer o mesmo, aprendi a gostar de mim, independentemente da profissão que esteja a desempenhar. Se fosse há algum tempo atrás, o mais certo seria sentir-me intimidada e incomodada com a atitude do Dr. S. para comigo…, neste momento, pelo contrário, desapeguei dos comentários e observei quem estava ali, à minha frente – por várias vezes fui afetuosa em vez de me afastar e distanciei-me de forma saudável quando senti necessidade de o fazer. Até este preciso momento, em que estou a escrever o texto as últimas palavras que me disse foi: “Desculpa lá”, na verdade é bem mais doce, divertido e gentil do que inicialmente me pareceu 🙂

Sou dinâmica e de iniciativas e, por isso, o universo movimentou-se em conformidade. Dado que o trabalho no 5.º piso é insuficiente para 3 pessoas aceitei, de coração, ajudar a gestora hospitalar. Quando vi o espaço onde ia trabalhar fiquei apreensiva..não era bem aquilo que estava à espera…será que a vida me está a ajudar?- perguntei, eu, que ajudo tanta gente!!!- pensei. No segundo dia a desempenhar esta tarefa, por volta das 19 horas, recebo um telefonema da gestora, aparentemente intrigada, a perguntar-me se estava tudo bem, visto que eu me tinha ido embora sem nos despedirmos. Confesso que me senti controlada e com o sentimento de que não estavam a confiar em mim. Tentei desapegar mas acabei por agarrar no telemóvel e, por mensagens – foi a forma como o consegui fazer – libertei tudo aquilo que me estava a fazer sentir mal, inclusivé, que não tinha feito bem em aceitar esta tarefa porque não estava a deixar-me confortável – algo muito forte e profundo me incomodava; o que realmente era eu só descobri depois de H. me telefonar com carinho e atenção – todos acumulamos muitas emoções e nem nos apercebemos disso. Quando trabalhamos em nós próprios, para nos tornarmos melhores pessoas e na nossa melhor versão, quando, como e onde menos esperamos descobrimos mais uma camada tóxica da qual precisamos nos libertar. O ir ajudar a gestora hospitalar teve este propósito no meu desenvolvimento pessoal – descobri que associei a minha situação atual a comportamentos ocorridos no passado, em situação laboral, de determinadas pessoas para comigo. Só que a intenção é bem diferente da do meu passado, aqui, eu sou valorizada e acarinhada – agora, eu também me valorizo e me acarinho, mais uma vez “o nosso exterior reflete o nosso interior”: só quando te valorizas é que os outros te valorizam, semelhante atrai semelhante, vibração atrai vibração, sentimento atrai sentimento.

E, por fim, o episódio que deu título a esta história… 🙂

Quando é preciso subo ao 5.º piso para ajudar a colega que ficou sozinha, algo que faço com agrado. O normal, logo pela manhã, é arranjar os processo, recolher e distribuir as requisições de exames dos doentes internados pelas várias valências do Hospital. Nesta caminhada, aproveitamos para tomar café, no bar do Hospital. A minha companheira de hoje é a Paulina que acabo por convidar a ficar na mesa enquanto me dirijo ao balcão para recolher a minha meia de leite e o café da Paulina. Chego mesmo a tempo da entrega: primeiro o café, ao qual a empregada teve a amabilidade de associar o nome da Paulina depois, a meia de leite, à qual a empregada teve a amabilidade de associar o nome da… meia de leite (eu própria, caso estejam interessados em saber 🙂 – Paulina; Meia de Leite 🙂 Na mesa onde a minha colega se encontra pouso a “Paulina” e a meia de leite e desato a rir em voz alta – eu reduzida a meia de leite 🙂 Noutra ocasião, no passado lá atrás, ou para muitas pessoas, esta situação poderia ter sido alvo de ofensa ou de mágoa. Aqui e agora, para mim, isto foi mesmo divertido, sei que a empregada disse sem intenção – é normal que não saiba o meu nome- e é muito positivo e construtivo quando vamos adquirindo capacidade para brincar com situações deste tipo e connosco próprios, com os outros e com o mundo – é sinal que estamos mais leves, mais alegres, mais amorosos connosco, com os outros e com o mundo. No dia seguinte, ainda me ria com a situação e senti uma enorme vontade em escrever um texto intitulado Paulina e meia de leite, mas como?… se o meu blog é de desenvolvimento pessoal?… tanto quis que a oportunidade surgiu.. andei a “cozinhá-lo” durante vários dias 🙂

Penso que a minha passagem pelo 5.º piso, assim como a da Paulina, está relacionada com o nosso crescimento no amor-próprio, à coragem de dizer não àquilo que não nos faz bem, à nossa conexão com os nossos sentimentos e com a verdade do nosso coração, assim como um teste e um desafio que a vida nos entregou para colocar um travão a fundo quando é preciso em comportamentos desapropriados dos outros para connosco.

A todos os protagonistas e leitores deste texto desejo harmonia e prosperidade: quando tudo está em conformidade. Obrigada 🙂 Beijinhos 🙂 da Paulina e Meia De Leite 🙂

1 comentário em “Paulina; Meia De Leite”

  1. Simplesmente fantástico amiga . Vou guardar este texto com muito carinho e revê -, ló sempre que tenha saudades tuas ou Simplesmente vontade de rir( foi o que acontecru agora ao reviver a situação que tanto nos divertiu naquele dia) um enorme beijinho Elsa

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