Divorciaste E Eis Que Descobres Um Emaranhado De Gente Confusa… O Que Estará Por Detrás De Tanta Confusão?

Cresci numa cidade pacata, no interior do país. Nos anos oitenta, num bairro cheio de gente da mesma idade, em crescimento e com interesses comuns, agraciado por um open space ainda em terra batida, o cenário perfeito instalou-se e a minha relação com os rapazes foi bastante saudável: jogávamos ao mata, andávamos de bicicleta, brincávamos aos polícias e ladrões, criávamos pequenos espetáculos de teatro e música que apresentávamos aos pais, no passeio da entrada da garagem do meu prédio, por altura do São João.

Licenciei-me em Coimbra e, devido ao curso que escolhi, a minha turma era maioritariamente constituída por raparigas. Encontrei duas companheiras que o foram durante os 5 anos de duração do curso. Caloira, ainda cheguei a sair com elas mas depressa se tornaram minhas companheiras de curso e não de vida pois adoravam sentar-se no café a fazer olhinhos aos rapazes em redor.

Decidi juntar-me ao grupo misto de colegas da minha irmã, quando íamos à discoteca dançar. Era bem mais divertido e saudável 🙂

Conheci o meu marido, após ter terminado o curso, até que me divorciei aos 39 anos de idade. Tendo sido um casamento exaustivo, decidi que iria namorar comigo própria, viver o momento presente, de forma consciente, para não voltar a ser enganada.

A coisa não correu bem como eu tinha planeado, desprevenida e longe de estar preparada para receber, o universo resolveu colocar alguém na minha frente, aparentemente vindo do nada, que me fez descobrir e ter a certeza que existe uma conexão de almas muito para além deste mundo terreno, cuja presença física me faz sentir uma paz plena. Bem, mas não é deste assunto que vamos falar, a conexão permanece no plano espiritual…

O meu divórcio aconteceu e o tempo vai passando dedicado ao meu ser, à minha filha, ao meu centro, à minha essência, sem relacionamentos amorosos.

Na verdade, passado este tempo de desenvolvimento pessoal, em que aprofundei a libertação da minha essência, é que sinto que estou preparada para receber. Estou bem comigo própria e vale a pena acontecer se for verdadeiro, puro, com dignidade e com respeito. Caso contrário, prefiro desfrutar da minha companhia e de tudo aquilo que me faz sentir bem, de acordo com as possibilidades de cada fase da minha vida. Ciúmes, indefinição e confusão não cabem no meu mundo.

Ciúmes, indefinição e confusão é o que eu tenho encontrado, desde que me divorciei. Embora voltada para mim, sou comunicativa e participei em projetos empresariais e atividades várias. Conheci muita gente, homens e mulheres mas, aqui e agora, é de homens que falo, sendo eu mulher.

Divorciada, as borboletas começam a pousar. Ao que parece, o estado de divorciada parece ser um jardim encantado e de deleite para muitas borboletas desencantadas.

A busca do prazer pelo prazer, momentâneo e passageiro está instalado, de forma frenética, em casados, comprometidos, divorciados e solteiros. É o mundo do não sei quem sou, não sei o que quero, tudo me serve e nada me serve.

Ouvi desde:

  • agora já me posso meter consigo porque está divorciada,
  • histórias de encontros secretos numa terra perto da minha,
  • convites para jantar quando se era amante de uma mulher casada,
  • declarações de amor mantendo sempre o casamento e as respetivas fotografias no facebook da eterna família feliz,
  • olhares indiscretos e abusivos,
  • conversas palermas de quem só pensa em sexo e olha para ti como se fosses apenas um corpo,
  • até um convite para tomar café, como retribuição da amabilidade por entregar uns documentos na instituição onde trabalha foi visto como uma oportunidade para me dizer que se dava mal com a mulher e tentativas de marcação para mais encontros

Acerca de uma semana, em amena cavaqueira com duas amigas, eis episódios dos nossos ex-maridos, ocorridos já este ano:

  • O meu ex-marido resolve enviar-me uma mensagem apelidando-me de minha mulher!!!!,
  • P recebe, subtilmente, do ex-marido, uma rosa vermelha dentro de uma garrafa de água, sendo a filha o veículo para entrega da mesma,
  • M na sequência do estado febril em que a filha se encontrava, recebe o ex-marido em sua casa e quando regressa descobre que este se deixou dormir no sofá de sua casa

Tanta trapalhada porquê?

“A complicação é a seguinte: desde a sua infância que ninguém lhe permite ser feliz, entrar em extase, ser alegre. Você foi obrigado a ser sério e a seriedade implica tristeza. Você foi forçado a fazer coisas que nunca quis fazer. Você era fraco, indefeso e dependente dos outros, é natural que fizesse o que lhe mandassem. Fez tudo de uma forma inconsciente, com infelicidade e muito contrafeito. Foi obrigado a fazer tantas coisas contra a sua vontade que interiorizou uma regra: tudo aquilo que é contra si é correto e tudo aquilo que não foi contra si é errado. E esta educação encheu-o constantemente de tristeza, o que não é natural” – OSHO

A sociedade abafa o centro do indivíduo, a verdade do seu coração e da sua alma. Constroi um puzzle à sua volta e as pessoas, debaixo do jugo de tantas regras e de crenças limitadoras de como a vida deve ser vivida, edificam um eu irreal – expressão usada por Osho com a qual me identifico

Se não estás sintonizado com o centro do teu ser, com os teus sentimentos, comprometido com o encontro com a tua alegria interior, facilmente entras neste mundo do não sei quem sou, não sei o que quero, tudo me serve e nada me serve.

Buscas momentos de prazer de forma confusa e difusa. O desrespeito instala-se por ti próprio e por todas as pessoas envolvidas na situação.

O prazer é alegria?

O prazer é momentâneo. É vivido por pessoas que se sentem sozinhas e carentes. Vivem o eu irreal. Semelhante atrai semelhante por isso quando duas pessoas sós e carentes se juntam duplicam a infelicidade.

A alegria é vivida por pessoas que encontram a sua essência. Não aceitam momentos de prazer mas sim alcançar a plenitude da sua existência.


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