Distância Saudável De Pessoas

Da última vez que falei com P.L., já lá vão mais de dois anos, apesar de parecer que foi à bocadinho, ele disse-me: “Tem que aceitar as pessoas como elas são”. Parece que foi à bocadinho mas, na verdade, desde então até aqui, as aprendizagens têm sido muitas…

Afinal, o que é isso da aceitação e, a nível mais profundo, aceitar como as pessoas são?

Num mundo onde se forçam relacionamentos – na escola, no trabalho, no grupo de “amigos”, na família nuclear e alargada… aceitação é, na maioria das vezes, confundido com “tenho que aguentar”… Desviados dos nossos sentimentos, aceita-se o que não se deve aceitar em prol de um bem estar comum que, na verdade, não existe.

Aceitar não é sinónimo de obediência e, muito menos, sinónimo de respeito quando, muitas vezes, se confunde respeito com amedrontamento.

Aceitar é, sim, respeito quando a palavra e a ação é usada na sua plenitude: respeito pelos pontos de vista, respeito pelas perspectivas diferentes sobre o mesmo assunto, respeito pela minha opinião, respeito pela opinião do outro.

Aceitar que existem pessoas com diferentes tipos e níveis de conhecimentos, com mais ou menos amor, com mais ou menos alegria, em estado bélico ou em estado afetuoso é o primeiro passo para se aceitar, de forma saudável, as pessoas como elas são.

Aceitar que todos estamos em estado de desenvolvimento e crescimento do ser, que todos estamos aqui para aprender, para transformar as sombras em luz, que todos somos mestres e aprendizes uns dos outros é aceitar que há um caminho de integridade a percorrer que se alcança com a conexão aos nossos sentimentos até ao encontro puro, profundo e genuíno com a verdade do nosso coração.

Posto isto, aceitar como as pessoas são está longe de ser sentirmo-nos sobrecarregados com a sua presença, intoxicados com as suas palavras e ações, impedidos de viver com plenitude.

Aceitar como as pessoas são é aceitar que cada um tem o seu próprio caminho a seguir, compatível ou não com o nosso.

Seguir o nosso caminho em conformidade com a nossa essência implica apreço por nós próprios – aceitar que é imperativo manter a distância saudável de pessoas com quem não se tem afinidade é um sinal de apreço por nós mesmos.

Conclusão: aceitar as pessoas como elas são é aceitar que há pessoas com diferentes níveis de conhecimentos. Aceitar as pessoas como elas são é aceitar que há pessoas com quem temos afinidade e pessoas com quem não temos afinidade. Aceitar as pessoas como elas são é aceitar que é necessário manter a distância saudável das pessoas com quem não temos afinidade.

De quem tens que manter a distância saudável?

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