Como Está O Apreço Por Ti Próprio?

Embora não seja religiosa, o calendário dita que estamos na Páscoa. Sentada na sala da casa onde vivi, durante 20 anos, à espera já nem me lembro do quê… a quietude é interrompida pelo som do telemovel, que soa dentro da mala azul.

Debruço-me, pego no telemovel e olho para o ecran: é ai que me liga a desejar boa páscoa. Sabendo que se encontra sozinha, resolvo convida-la a sair comigo e com a minha amiga sã… a resposta foi inesperada: “eu não me sento na mesma mesa que essa senhora porque eu já a apanhei a falar mal de mim”

Incrédula e porque a minha irmã e a minha filha já se encontravam na sala, decidi terminar o telefonema sem abordar o assunto.

Não abordei mais o assunto mas, apossou-se de mim um tremendo sentimento de desconforto, como já não sentia há algum tempo: gosto de harmonia e não de cisões.

Confesso que andei algum tempo sem saber o que fazer: que atitude tomar quando as duas se cruzassem na minha presença?

O que se passa na cabeça de ai?

Exatamente isto um grande ai refletindo a sua infelicidade e angústia. Num estado adormecido do seu ser, despreza-se a ela própria e, consequentemente, despreza o outro.

O nosso exterior reflete o nosso interior: se me desprezo, desprezo o outro. Se me prezo, prezo o outro.

E, aqui, estamos claramente na presença de uma pessoa inconsciente de si própria com uma baixa auto-estima.

Ao invés de tentar compreender a causa e/ou as causas da sua dor, angústia e infelicidade projeta no outro ou em algo aquilo que não gosta em si, de forma consciente ou inconsciente.

Facilmente se criam problemas dado que a desresponsabilização pela sua própria vida faz parte do quotidiano. Arranjar “culpados” e responsáveis pelo estado de infelicidade em que se encontra dá muito jeito porque não se sente “culpado” do estado em que se encontra. É muito confortável entrar no processo de auto-comiseração, há sempre desculpa para os nossos atos, nem que seja imputar a culpa no outro ou em algo.

Aquele que está infeliz, que vive angustiado, vive em cisão consigo próprio, numa permanente desarmonia. Mais uma vez, como o nosso exterior reflete o nosso interior, se estamos em desarmonia connosco estamos e criamos desarmonia com os outros.

E, no meio de tudo isto qual foi o meu posicionamento?

Prezar-me, respeitar-me mais e mais. Tal como dizia Louise L.Hay podemos sempre aprender a amar-nos mais e mais. No fundo, este episódio foi mais uma aprendizagem para mim.

Vivo a verdade do meu ser. A cisão não faz parte de mim. Continuo a ser eu própria, com aquilo que me faz bem. Estou com quem quero estar, de forma harmoniosa. A desarmonia deixo-a ir. Não voltei a procurar ai. Tenho aprendido a deixar a vida fluir… e como esta vida é bela e interessante! E como esta vida nos coloca à prova…

Faz hoje 7 dias que estava com sã a tomar café quando ai entra na pastelaria. Seguindo a minha verdade, convido ai a sentar-se na nossa mesa. Um pouco relutante, acaba por aceitar… a conversa flui e eis que um momento de verdadeira alegria surge e o riso coletivo solta-se facilmente. Ai acaba por se ir embora mas, antes, tem a simpatia de elogiar o vestido de sã.

Não voltei a procurar ai, deixo a vida fluir…

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