Como Criar E Manter A Autoestima E O Amor-Próprio

Todos temos uma essência única e genuína, tal como a nossa impressão digital única e genuína.

A impressão digital é física, vê-se, e é aceite pela sociedade. É algo que nos distingue, está presente no cartão do cidadão e é utilizada nas mais variadas situações…

A essência não se vê. Vive dentro de cada um de nós. Num mundo que privilegia o físico, o biológico, o exterior e a consciência de tudo menos de nós próprios, a essência permanece escondida e, na maioria das vezes, até mesmo escondida do próprio, a quem pertence.

A ausência de consciência de si próprio traz muitos conflitos internos. A ligação, ilusória, ao mundo exterior, conduz-nos à interiorização, muitas vezes, inconsciente, de crenças e ideias limitadoras de como a vida deve ser vivida.

Esta interiorização inconsciente acontece durante o nosso crescimento quando, enquanto crianças obedientes que somos, aceitamos aquilo que nos é imposto pelos adultos que nos rodeiam.

Como, em geral, não crescemos a ser ensinados a ter consciência de nós próprios, o ciclo vicioso instala-se: repetem-se comportamentos de geração em geração, que criam indivíduos com conflitos internos que, por sua vez, criam indivíduos com conflitos internos e, assim por diante …

É preciso aceitarmos que vivemos num mundo de conflito e que nós próprios também temos os nossos conflitos internos.

Depois de termos essa humildade para connosco próprios é preciso observar com que tipo de adultos crescemos e como a personalidade de cada um deles nos influenciou.

Pessoas manipuladoras e autoritárias existem por todo o lado: na família, nas instituições, nas escolas …

Pessoas com total ausência de consciência de si próprias que possuem a necessidade de sobressair, não pela luz própria que cada um tem em si, o qual desconhecem por completo, mas, pelo exercício do poder, poder, este, destrutivo, agressivo e calamitoso.

Assim, com que tipo de pessoas cresceste?

Para te ajudar a descobrir, vamos abordar as características das pessoas autoritárias, através da elaboração de algumas perguntas:

  • O que significa, para ti, respeito? Ouvir e falar respeitando a opinião do outro ou medo?
  • O que te fazia sentir amado? Expressares a tua opinião ou obediência imperativa ás regras instituídas?
  • Cresceste a ouvir os adultos a julgarem, constantemente, os outros?
  • Deixaram-te descobrir o que te fazia feliz ou impuseram-te o que podias ou o que não podias fazer?
  • O teu curso, a tua profissão foram escolhidos por ti ou pelos adultos que te educaram?
  • Foste alvo de agressões físicas e verbais sempre que não fazias o que te era imposto?
  • A tensão e o conflito estavam presentes no quotidiano da tua casa?
  • Cresceste ao lado de pessoas rígidas? Ou seja, pessoas que definem o bom e o mau: quem aceita as suas perspectivas no que diz respeito a valores e opiniões está no bom caminho, quem não concorda com elas é, severamente, criticado
  • Impuseram-te religião, ideias políticas, clube de futebol…?
  • Fizeram-te crer que é agindo de determinada forma que és bom pai, boa mãe, boa mulher, bom filho?
  • Nunca nada estava suficientemente bem?
  • Eras recompensado sempre que correspondias às expectativas dos adultos e castigado sempre que isso não acontecia?
  • Cresceste a ser impossibilitado de descobrir e exprimir a tua criatividade?
  • Foste ensinado que exprimir raiva ou opinião diferente daquilo que te era imposto é falta de educação?

Nota: “na pessoa autoritária, os sentimentos vinculados à lei são de medo, rigidez, incompreensão e não de amor, compreensão, ternura e segurança”

No próximo texto, a abordagem será direcionada para as características de pessoas manipuladoras.

Informo já que , por vezes, o perfil do autoritário se confunde com o do manipulador: no fundo, pretendem os dois atingir o mesmo objetivo: obediência do outro a si mesmo 🙂

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