Como Criar E Manter A Autoestima E Amor-Próprio – III

Está na altura de escrever mais um texto sobre o tema como criar e manter a autoestima e amor-próprio. Um texto que tem como ponto de partida os dois textos anteriores a este, sobre o mesmo assunto, aos quais aconselho a tua visita pois, só assim, é possível compreender como chegámos até aqui…

… … …

27 de Outubro: visito a exposição “Olhares com letras”, fotografia de Carlos Godinho e textos de Luísa Moreira, na Galeria de São Sebastião, patente ao público até 22 de Novembro.

Um exemplo de como se cria, a dois, de como se dá o melhor de cada um a bem dos dois e do Todo onde estamos inseridos, de como se respeita a criatividade e a essência de cada um, de como se olha o outro para além do exterior e do que está instituído, de como se caminha lado a lado 🙂 longe do autoritarismo e da manipulação

Autoritarismo e manipulação fazem-nos crescer e viver sob o jugo da pressão, do medo, da insegurança, da rigidez, da ausência de consciência do nosso verdadeiro eu.

Incutem no nosso inconsciente: ideias limitadoras de como a vida deve ser vivida e infligem comportamentos e atitudes castradoras do desenvolvimento da nossa autoestima e amor-próprio.

Ideias limitadoras de como a vida deve ser vivida:

  • obediência cega ás regras que nos foram impostas;
  • necessidade de julgar tudo e todos que agem de maneira diferente daquilo que nós julgamos ser a maneira certa de agir;
  • ilusão de que o perfeccionismo existe;
  • acreditar e validar culpa e castigo;
  • acreditar e sentir que expressar os sentimentos é inadequado e inútil;
  • humilhar o outro é normal e socialmente aceite;
  • tudo tem que ser feito em piloto-automático, em tempo record e da forma exata como nos é pedido, desrespeitando, na totalidade, os nossos limites e criatividade;
  • o melhor, é pôr os nossos sonhos e objetivos na gaveta;
  • considerar que conflitos, tensão e discussão é normal.

Comportamentos e atitudes castradoras da nossa autoestima e amor-próprio:

  • apontam-nos erros e falhas como se eles próprios fossem perfeitos. Agiram sempre da melhor forma, nós é que não somos válidos;
  • não nos deixam falar mas, para eles, nós é que não os deixamos falar = principalmente, quando os confrontamos no que diz respeito ao comportamento nocivo e destrutivo que têm connosco;
  • dizem-nos sempre que os estamos a interpretar mal, fazendo-nos crer que somos maldosos e sem escrupulos;
  • riem-se, em tom de gozo, daquilo que dizemos e fazemos;
  • escondem-nos informação importante, até mesmo, e, principalmente, aquela que é preciosa para ultrapassarmos as nossa fragilidades e medos;
  • não conversam connosco – entram numa discussão aberta onde o dedo está sempre apontado para nós e a perfeição do lado deles;
  • gostam de nos confundir: eles nunca nada e nós sempre tudo. Somos o seu bode expiatório: tudo o que eles fazem de mal é transferido para nós;
  • só falam sobre as nossas fragilidades, as nossas qualidades nunca são abordadas;
  • ignoram a nossa opinião quer no seio familiar, laboral, … Têm o ego exacerbado e nós só somos bons quando fazemos o que eles querem;
  • dão com uma mão e tiram com a outra. O elogio vem sempre acompanhado de um ato destrutivo, fazendo-nos crer que não somos suficientemente bons.
  • os outros são sempre melhores do que nós.

“As sombras crescem quando a luz se perde”

E, assim, no meio deste turbilhão em que mergulhamos logo à nascença, uns mais do que outros, encobrimos a nossa luz interior e abraçamos um imenso mar de sombras.

Só quando conseguimos perceber isto é que conseguimos desconstruir o todo nocivo com que temos vivido e encontrar naquilo que, aparentemente, parece ser um nada “o nosso tudo”, o nosso verdadeiro todo 🙂

Num mundo onde é normal fazer crescer a sombra e não a luz, somos alvo deste processo e criamos vítimas deste processo. Só quando ampliamos a nossa consciência é que criamos um novo processo de desconstrução de sombras…, saímos beneficiados e beneficiamos os outros. Avanços e recuos fazem parte do novo processo. A descoberta das sombras que habitam o nosso inconsciente pode acontecer até ao último dia das nossas vidas…. … … 🙂

“É, sempre ao fundo, longe, depois de caminhos estreitos, que a felicidade está líquida, imensa”

“Caminhos por onde a morte viveu”

Frases de Luísa Moreira e Sandra Moura Moreira 🙂 Obrigada 🙂

E, no próximo texto: “Vamos falar de amor” … … … 🙂

Deixe um comentário