Cobrança Emocional… O Que é?

Sofrendo a humanidade, em geral, de carência afetiva, temos dificuldade em receber amor.

A não aceitação do corpo social tal como somos conduz-nos a um estado de inabilidade em nos nutrirmos a nós próprios. Vivenciamos, todos, em maior ou menor grau, situações de abandono, controle excessivo e momentos de escassez.

Aprendemos que somos dignos de receber, apenas, quando satisfazemos o que é aceite pelo padrão e/ou quando satisfazemos as necessidades dos outros. Desta maneira, desabrocha a cobrança, ou seja, todo o afeto que resulta da ausência de espontaneidade, do aliciamento, da pressão. Aquilo que se cobra não é natural, por isso, não podemos chamar afeto mas, sim, obrigação. Muitas vezes, não damos nem recebemos afeto, damos e recebemos favores. Quebra-se a espontaneidade nas relações. Controlamos e somos controlados em tudo o que diz respeito ao ato de receber. Receber é sentido como favor ou forma de recompensa. Focamo-nos no mundo exterior e posicionamo-nos de acordo com aquilo que é merecedor de recompensa.

Somos carentes quando não nos conhecemos a nós próprios, quando desconhecemos as ações e os comportamentos que nos fazem sentir bem, quando não conhecemos os nossos limites. Esta ausência de afeto e de amor por nós próprios leva-nos a ter medo da rejeição, levando à necessidade de cobrar o afeto dos outros, através da coação, tal como a sociedade em geral faz connosco.

Precisamos de preencher o vazio de amor que existe dentro de cada um de nós e, por isso, cobramos aos outros afeto e atenção. Sentimos que somos queridos e amados quando os outros nos fazem exatamente aquilo que queremos. Se o comportamento e atitude do outro não corresponde às nossas expectativas sentimos, de imediato, que não estamos a ser amados, nem aceites e começamos a ter um comportamento devastador e bélico com o outro.

Fixamo-nos na sombra e não na luz

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