A Ilusão Dos Títulos

O ser humano tem necessidade de reconhecimento, de se sentir importante e, de facto, todos somos importante já que cada um de nós tem uma luz própria e única e algo importante a desenvolver em vida, contribuindo, assim, para o bem do Todo, este imenso aglomerado energético.

Mas será que temos consciência do equívoco em que vivemos relativamente àquilo que consideramos ser reconhecimento e importante?

Na minha passagem pelo 5.º piso do Hospital, trabalhei como administrativa. Entre médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar e outros eu era uma perfeita desconhecida, por isso, no início, fui alvo de algumas situações de abuso às quais pus travão a fundo porque, para muitos, o pessoal administrativo está “abaixo” dos médicos e enfermeiros – na verdade, aquele piso só funciona devido à multidisciplinariedade ali existente, todos precisam de todos…

Semanas mais tarde, a ala esquerda organiza um jantar com o intuito de reunir as mulheres, independentemente da profissão exercida. Identifiquei-me com isto? Não!!! O sentimento de divisão, de inferioridade/superioridade está instalado no dia a dia. Não será, assim, este jantar uma ilusão de união?

Embora tenha acabado por criar um bom relacionamento com todos, nem me dignei responder ao convite para participar no jantar. Sai do grupo do whatsapp em silêncio. Em tempos idos, teria tido necessidade de responder, agora, em muitas e variadas situações o silêncio é de ouro.

Afinal, cada pessoa age de acordo com os conhecimentos que tem e há que aceitar que há pessoas e situações que contribuem para a nossa harmonia e pessoas e situações que provocam desequilíbrio na nossa integridade.

Mas de onde vem o apego a títulos? – académicos, profissionais, familiares..

Da lacuna que existe em reconhecer e dar importância aos sentimentos de cada pessoa, ao valor individual de cada um. Da importância que se dá ao julgamento. De ter-se medo de não se ser aceite. De se seguir, cegamente, os padrões mentais da maioria, mesmo que isso nos faça sentir mal connosco próprios e, consequentemente, com os outros.

Afinal quem és tu? Um título? A profissão que exerces?

Como é que exerces a tua profissão?

Com entrega e carinho? Revelas verdadeira simpatia e interesse pelas pessoas que partilham contigo o dia de trabalho? Vais trabalhar preocupado, agitado e com vontade de conflito?

Quem és tu, afinal? Eu? Eu sou médico, eu sou advogado, eu sou enfermeiro..NÃO!!! Os sentimentos e as ações que tens enquanto exerces a tua profissão é que te definem. É que dizem quem és tu e qual o teu posicionamento no mundo.

E de onde vem o teu posicionamento no mundo?

Do teu caminho de autodescoberta e de autoconhecimento, da tua coragem de expandir o teu pensamento e as tuas convicções, da responsabilidade que tens em ir ao encontro da tua integridade ou do padrão mental incutido no teu subconsciente que ainda não tiveste coragem de questionar?

Deixe um comentário